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Essa Estrada




Já não consigo olhar pra trás. Antes a julgar descuidos, hoje não pretendo pensar. Refletir agora é o que mais empena os sentimentos nus que pude conhecer.

Abotoar as roupas e desfazer as malas de uma grande viagem, embora não seja tão prazeroso, reflete o que foi bom no percurso.
O que havia por baixo dos panos... sem enganos.

Já não consigo lembrar de poucas das muitas coisas, ou ao contrário, sabe-se lá como virá o dia pela manhã.

Sendo sol ou  chuva, há de ser o céu, moradia das estrelas e tantos outros planetas, que estarei a contemplar.
Há muitos mais mistérios entre nosso vão entendimento. Há muito mais de mim em mim do que eu em ti. 

Há muito mais amor... Mas quem se importa?

Aqueles que vagueiam por alheias vidas a solfejar assuntos de fotografias?
Os que pragueiam o amor dos observados?
E quem é que há de julgar qualquer fato a sobrepor os saltos que o meu coração é capaz de transparecer? E o seu então quando quase parece sair pela boca?
Por onde anda quem não caminhou e até se perdeu nesse mapa? Por qual justiça clama este mero mortal?

Já não consigo olhar no escuro sem buscar a luz. Já não perco a dança dos ventos nos cabelos dos quais também preferi reinventar.

E assim, recriar o que vive em mim, mesmo sendo teu, é meu. 
E sinto muito te decepcionar mas nem mesmo você, será capaz de você de mim tirar.




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